Arquivos da categoria: Meditação Diária

Meditação Diária - Jubileu - 08/10/2012

Consagrem o quinquagésimo ano e proclamem libertação por toda a terra a todos os seus moradores. Este lhes será um ano de jubileu, quando cada um de vocês voltará para a propriedade da sua família e para o seu próprio clã. Levítico 25:10

Terras são bens valiosos. Na sociedade agrícola, a terra proporciona a base para o sustento. Para as pessoas dessa sociedade, perder a terra significa tornar-se nada, ter como única opção a escravidão.

Deus estabeleceu uma provisão cheia de graça para Seu povo, os filhos de Israel, quando fossem para Canaã após passarem séculos no Egito. Eles seriam fazendeiros, ligados à terra; mas não deveriam perdê-la permanentemente pela compra e venda. Inevitavelmente, alguns perderam as terras que receberam. Por motivo de enfermidade, tragédia, morte ou má administração alguns foram obrigados a vender tudo o que possuíam, incluindo a terra. Mas a venda da terra não seria definitiva.

No quinquagésimo ano, todas as dívidas eram canceladas. No quinquagésimo ano, a terra que havia sido vendida voltava aos proprietários originais. No quinquagésimo ano, reinava a liberdade. Era o ano de voltar para a propriedade dos antepassados; para reunir a família.

Isso quer dizer que todas as negociações que envolviam a aquisição de terras possuíam um fator temporário. O mercado imobiliário de Israel era governado por um ciclo de cinquenta anos. Se o jubileu estivesse longe, a terra tinha um valor mais alto; se o ciclo estivesse quase chegando ao fim, o preço caía.

Imagine o significado do jubileu para os membros de uma família que estavam vivendo na pobreza, destituídos de sua terra, trabalhando como escravos. Havia esperança. Os anos de trabalho escravo certamente teriam fim. Chegaria o jubileu e, ao décimo dia do sétimo mês (o Dia da Expiação), soaria o toque da trombeta, proclamando a liberdade.

Os princípios do jubileu – quitar, libertar, retornar, reunir – são a essência do evangelho. O jubileu está repleto de graça. Era uma ideia maravilhosa, uma ideia divina. Infelizmente, não há indicação de que os judeus o tenham colocado em prática. Podemos imaginar a relutância dos abastados proprietários de terras em simplesmente devolver as propriedades aos donos originais sem receber nenhum centavo em troca. Podemos imaginar os poderosos se unindo para privar o pobre. Isso aconteceu no passado e ainda acontece hoje. Mas, na graciosa provisão de Deus, Alguém viria ao mundo para proclamar liberdade, quitação, restituição, reencontro. Esse Alguém foi Jesus, o jubileu encarnado.

Meditação Diária - O Altar de Pedra de Levítico - 07/10/2012

De fato, segundo a Lei, quase todas as coisas são purificadas com sangue, e sem derramamento de sangue não há perdão. Hebreus 9:22

Entusiasmados com o bom propósito de início de ano de fazer o ano bíblico, muitos cristãos veem seus planos despedaçados e queimados sobre o altar de pedra de Levítico. Os detalhes aparentemente infindáveis sobre as ofertas e os sacrifícios, o puro e o impuro e os rituais de purificação cansam o leitor, levando-o ao desânimo. Qual é a razão de todas essas regras sobre sacrifícios? Qual é o motivo de tanto sangue derramado?

Eugene H. Peterson sugere uma resposta: “A primeira coisa que nos impressiona ao lermos Levítico […] é que o santo Deus está de fato presente conosco e praticamente cada detalhe de nossa vida é afetado pela presença desse santo Deus; nada em nós, em nossos relacionamentos ou ambiente é deixado de fora. A segunda coisa é que Deus oferece um modo (os sacrifícios, as festas e os sábados) pelo qual levamos tudo em nós e a nosso respeito à Sua santa presença, representada pela chama ardente sagrada. É maravilhoso estar em Sua presença! Nós, assim como o antigo Israel, estamos em Sua presença a cada momento (Salmo 139).”

Tanto derramamento de sangue parece repulsivo. No entanto, através desses rituais, que, não nos esqueçamos, foram instituídos por Deus, o Senhor ensinou lições vitais para Seu povo.

Primeira lição: o pecado custa caro. A questão do pecado não é simples, algo que Deus resolve fazendo um sinal com a mão. Somente aqueles cuja sensibilidade moral está entorpecida consideram o pecado algo sem importância. Essa ainda é uma lição para as pessoas da era moderna, para nós. O pecado custa caro. Muitas pessoas hoje, especialmente na mídia, tentam atrair a atenção chocando o público. Elas fazem pouco de Deus, do pecado, do sexo; ridicularizam os tabus. Mas o pecado ainda tem um preço.

Segunda lição: a purificação do pecado requer derramamento de sangue. Não, o sangue de bois e bodes, bezerros e cordeiros não podem purificar a humanidade; o pecado envolve uma qualidade moral que não pode ser removida por meios mecânicos. Todos os sacrifícios de Levítico apontavam para o grande Sacrifício, para Ele, o Sumo Sacerdote e ao mesmo tempo a oferta, que um dia carregaria nossos pecados com Ele para a cruz.

Assim, Levítico ensinou aos israelitas a salvação pela fé. Deus prescreveu o que o pecador deveria fazer a fim de ser perdoado. A pessoa que aceitava o caminho de Deus obedecia. Sim, o altar de pedra de Levítico é a graça.

Meditação Diária - O Chamado à Santidade - 06/10/2012

Disse ainda o Senhor a Moisés: “Diga o seguinte a toda comunidade de Israel: Sejam santos porque Eu, o Senhor, o Deus de vocês, sou santo.” Levítico 19:1, 2

No século passado, o teólogo alemão Rudolf Otto, ao refletir sobre as várias manifestações da experiência religiosa, escreveu um pequeno livro que se tornou um clássico – em alemão, Das Heilige; traduzido para o português, O Sagrado.

Otto argumentou (corretamente, penso eu) que a ideia mais básica de religião é o senso do sagrado. Ele cunhou uma expressão em que o som de cada palavra que a compõe evoca o impacto do Sagrado sobre nós: mysterium tremendum et fascinans. Misterioso. Tremendo (poderoso). Mas, ao mesmo tempo, fascinante, que nos atrai.

Em todo lugar e em todas as eras, homens e mulheres elevaram o coração em adoração a um ser superior. Geralmente essa adoração é ignorante e, do ponto de vista do cristianismo, infantil e imperfeita. No entanto, Jesus, a Luz do mundo, brilha no coração dos adoradores e eles O buscam, mesmo de forma imperfeita.

Ao longo da Bíblia, Deus declara Sua santidade e chama Seus seguidores a ser santos. Em Levítico, Ele nos diz três vezes que devemos ser santos porque Ele é santo (Lv 11:44, 45; 19:2; 20:7). O Novo Testamento apresenta o mesmo desafio (1Pe 1:16).

Jamais devemos perder o senso da santidade de Deus. É verdade. Deus quer ser nosso amigo, mas Ele nunca pode ser um amigo a quem nos dirigimos como alguém igual a nós. Esse é um erro que às vezes cometem alguns cristãos que gostam de falar muito sobre a graça. Uma das demonstrações mais tristes que testemunhei foi a de um pregador que, apanhado na loucura moderna pelo divertimento, transformou o momento solene no púlpito em um show de comédia. Um ministro que não sabe fazer distinção entre o sagrado e o profano… Que tragédia!

Aquele que é santo nos chama à santidade: “Sejam santos”, Ele diz. Trata-se de um convite e também de um incentivo. O livro de Hebreus nos diz: “Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor” (Hb 12:14).

Deus está moldando Seu povo, o povo que Ele salvou pela graça, segundo a Sua imagem. Dia após dia e momento após momento, Ele nos molda segundo a Sua semelhança divina, na pureza de coração e de vida que é a Sua própria essência.

Que Aquele que é santo alcance Seu objetivo em nós hoje.

Meditação Diária - Aceite o que Deus Fez por Você - 05/10/2012

Portanto, meus irmãos, por causa da grande misericórdia divina, peço que vocês se ofereçam completamente a Deus como um sacrifício vivo, dedicado ao Seu serviço e agradável a Ele. Esta é a verdadeira adoração que vocês devem oferecer a Deus. Romanos 12:1, NTLH

É muito fácil ficar com a atenção fixa nas árvores e nunca ver a floresta. Os detalhes da vida podem se tornar um fim em si mesmos. Com isso, nosso cristianismo se deteriora em observâncias presas a regras que carecem de liberdade, espontaneidade e alegria.

Lembro-me de uma rápida conversa que tive com uma senhora de 94 anos de idade após o culto. Depois de parabenizá-la por sua aparência bem conservada, levei um sermão a respeito dos malefícios do sorvete. “Faz 63 anos que não chego nem perto dessa sobremesa!”, ela exclamou com ar de vitória.

Posso pensar em várias coisas mais prejudiciais do que o sorvete. Imagino o que o Senhor pensa da religião que se concentra numa lista do que fazer ou não fazer.

Precisamos, porém, considerar o outro lado da história. Embora não devamos nos prender aos detalhes, a vida consiste de detalhes, não apenas da visão geral. É isso que Paulo enfatiza na passagem de hoje – nossa vida cotidiana e comum de dormir, comer, ir ao trabalho e passear. Essa é a nossa vida fora da igreja, fora da fachada religiosa que podemos assumir para impressionar os santos.

Uma definição de religião afirma que ela é o que fazemos quando nos encontramos sozinhos. Isso é verdade – mas apenas parte dela. A religião, pelos menos segundo o modelo de Paulo, é também aquilo que fazemos quando estamos em meio aos outros. O cristianismo envolve a vida toda, todo o nosso ser e tudo o que fazemos para a glória do Senhor da graça.

Nossa maneira de viver ao nos apresentarmos como sacrifício vivo a Deus não é questão de seguir uma lista do que se pode ou não fazer, mas aceitar o que Deus fez por nós. De um ponto de vista, somos os que atuam; mas o verdadeiro agente é Deus. Ele efetua em nós tanto o querer quanto o realizar segundo Sua boa vontade (Fp 2:13).

Hoje, lembremo-nos do que Deus fez por nós. Isso significa que nossos olhos não estarão focalizados em nós mesmos, mas nEle; que aceitaremos com alegria a direção de Seu Espírito; notaremos com júbilo as evidências de Sua providência e prontamente nos submeteremos à Sua soberania.

Senhor Jesus, vive em Mim hoje!